NOSTALGIA
NO RIO DE JANEIRO
ABRIL/2012
Essa foi a primeira foto que vi alguns anos
atrás, da cidade onde nasci, nos idos do início do século XX. E que me impressionou
de uma maneira, que até hoje não sei explicar. Desde então, toda vez que
passava de ônibus pela área da Rodoviária Novo Rio, ficava olhando aquela
igrejinha, lá no fundo da rua, meio escondida pelos enormes tanques do
gasômetro de São Cristóvão. Depois que passava por ela, fechava os olhos e me
imaginava nas águas da Baía de Guanabara, indo diretamente ao Cais da
Imperatriz, onde desceria e a pé teria que seguir pro trabalho, próximo ao
Jardim do Valongo, passando pelas construções onde se vendiam os escravos.
Surreal? Eu sou assim...
A Igreja Matriz de São Cristóvão localiza-se no bairro a quem deu o seu nome – São Cristóvão – Rio de Janeiro. A princípio foi uma capela construída à beira-mar num dos recantos da baía de Guanabara pelos jesuítas em terreno da fazenda São Cristóvão, na sesmaria concedida por Estácio de Sá. O seu estabelecimento neste local data de 1627. Tendo um ancoradouro bem em frente da entrada, que permitia aos pescadores a vinda às missas. Tão branca e com a sua torre tão alta, era vista de longa distância pelos pescadores, que à hora da “Ave-Maria”, ao recolherem os seus barcos, procuravam a igrejinha para nela dar graças ou para pedir a proteção divina.Passou a ser matriz em 09 de agosto de, por decreto imperial, confirmado por outro, em 17 de dezembro do mesmo ano. Reconstruída e ampliada em 1865, localizada na chamada Praça Padre Sève atualmente, denominação que foi dada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, atendendo aos serviços prestados à paróquia pelo falecido Vigário.
Havia muita precariedade de acessos por via terrestre para o centro da cidade, e o caminho de São Cristóvão que passava logo atrás, aumentou a circulação na região pela multiplicação dos engenhos de açúcar. Por essa estrada logo começaram a passar os tropeiros e viajantes, aparecendo no seu entorno uma pequena povoação que passou a ser chamada de Campo de São Cristóvão. Com a expulsão dos jesuítas em 1759, São Cristóvão foi loteado tornando-se um grande e nobre bairro, com a vinda da família Real. Ao longo dos anos foram feitos muitos aterros, para eliminar alagadiços e mangues, e para facilitar o crescimento daquela região.
É certo que a igreja foi sempre muito procurada pelos incontáveis devotos de São Cristóvão, inclusive pela Marquesa de Santos, residente à entrada da Quinta da Boa Vista, que a preferia por ser retirada do bulício da cidade, evitando, dessa forma, os olhares maliciosos do povo. Também, D. Pedro I, e mais tarde D. Pedro II e toda a família imperial, assim como muitos nobres, várias vezes foram vistos no templo da praia. Somente no fim do século XIX é que a igreja tomou a feição que ora apresenta; isso aconteceu quando ali esteve o Cônego Luiz Antônio Escobar de Araújo que, tendo sido nomeado Vigário, realizou obras de grande monta, dando-lhe o elegante estilo gótico-romano que tanto a distingue dos demais templos religiosos.


-horz.jpg)




